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Lançamento do DVD - Oficina G3 “Histórias e bicicletas”




Uma das mais renomadas bandas gospel da atualidade, a banda Oficina G3, se mostraram grandes. Desde Indiferença (1996), e não precisa provar para ninguém que é um dos maiores grupos musicais do mundo evangélico. Com o passar dos anos, sua fama foi crescendo, algo que lhe fez bem, e ao mesmo tempo, mal. Mal porque o processo de lançar um bom disco, com forte aclamação popular, faz com que qualquer artista ou banda procure se superar, extrapolar os seus limites e claro, agradar seu grande público evangélico é algo que não é fácil mesmo que a fonte seja limitada. Quando o trabalho não é recebido tão favoravelmente quanto os da “era clássica”, começam-se as especulações. Após o questionado Humanos (2002), acredito que o Oficina somente alcançou consenso em Além do que os Olhos Podem Ver (2005). A partir deste trabalho, Juninho, Duca e Jean Carllos, evidentemente, alcançaram tudo o que lhes era possível, como um trio. 


Os recentes lançamentos foram de altíssima qualidade e seguiram-se numa pressão que poderia ser perigosa para a banda, caso seguissem na mesma formação. A entrada de Mauro Henrique em 2008 deu uma vitalidade a banda, mesmo que Depois da Guerra seja, em minha particular visão, um disco inferior a Elektracustika (2007) e o Além (especialmente, quando me refiro as baladas do CD). Enquanto isso o público ficou enlouquecido com o prog metal que a banda já vinha fazendo desde 2005 até a atualidade e agora com as novas influências de metalcore, o grupo provou que não a limites para a criatividade e inovação se mantendo entre os maiores nomes e mais respeitados grupos evangélicos da atualidade.

O DVD Histórias e Bicicletas “Reflexões, Encontros e Esperança” veio como um tapa na cara para inúmeras pessoas que queriam apenas um peso instrumental, que, na visão dos leigos, é o que faltou em bons álbuns como o Elektracustika e O Tempo (2000). Em contrapartida, recebemos um álbum de conceito lírico bem mais sentimental, forte e certamente o mais introspectivo de toda a carreira da banda. Dividir conceitos, para um grupo de quase 30 anos de carreira, é algo bastante óbvio de acontecer. Mas saber canalizar suas experiências pessoais para composições sinceras, é ainda algo que muitos tentam mas poucos conseguem, especialmente no meio evangélico, porém o grupo Oficina G3 faz isso com extrema originalidade e singularidade.

Depois de o enérgico D.D.G. Experience e anos de silêncio, Oficina G3 chega com seu 1º filme, “Histórias e Bicicletas” com a direção de Hugo Pessoa, um profissional muito experiente nos trabalhos da banda. Com o intuito de fazer uma espécie de documentário, a super produção procura mostrar as sessões de gravação, as visões particulares dos 4 integrantes sobre a canção e sua relação com elas, além de performances dos louvores do trabalho.

O
line-up, como um quarteto, é tão sólido quanto neste registro mais atual. Sob uma oração de Juninho com os integrantes e Leonardo Gonçalves, e um discurso de Duca, com imagens do dia a dia em preto e branco – algo, aos poucos, saturado nas obras dirigidas por Hugo – embalam as palavras do baixista e o instrumental executado pelo guitarrista, que comenta a pulsante e dreamtheaterníaca Diz, acompanhado de um grupo extremamente técnico.
Duca Tambasco se torna o muito importante. O baixista, como na grande maioria das bandas de rock, pode não ser o mais lembrado, mas mostrou-se de extrema importância para o conceito do CD. Sua voz, apesar de pouco ouvida nos louvores da Oficina G3, são transmitidas no interlúdio. Enquanto as imagens o retratam como um sujeito tranquilo, o seu baixo pulsante (a influência do RAK na mix me fez lembrar de Muse) dá início a uma das músicas mais enérgicas e progressivas de Histórias e Bicicletas, Não Ser.

Juninho, um dos mais importantes e influentes nomes por trás da banda desde 1990, consagrou-se, neste documentário, como um cidadão cuja fala é mais pertinente pela habilidade seus dedos, do que por palavras propriamente ditas. Seus solos, pelo trabalho, mostrou toda seu crescimento ao longo dos tempos. O “progresso” nas canções da banda, na maioria das vezes, se deve as parcerias e influências trazidas pelos artistas contratados e convidados, que atuam com o quarteto, de tempo em tempo. Leonardo Gonçalves é um deles, o qual participa em Lágrimas e nos relembra da habilidade da banda em produzir baladas. 

 
Sonoricamente, o filme Histórias e Bicicletas não precisou acrescentar muito a sua versão em CD, pois os interlúdios, depoimentos e cenas de gravação, com muita interação e raras falas sobre o álbum de fato, mostra que a super-produção soa mais interessante pelo implícito. As entrelinhas contidas nas tomadas, na maioria das partes seguidas em escala de cinza, podem cansar o público mais desatento, porém, são autoexplicativas para quem conhece, ao menos um pouco, o contexto sobre a produção do álbum.
 
A grande inovação mais real e inércia do trabalho concentra-se em Hugo Pessoa. O diretor, que provou, durante tempos, ser um dos mais criativos do ramo evangélico, aos poucos começa a se tranquilizar. uns elementos em suas obras, como introduções temáticas, estão cada vez manjadas e precisam estar unidas as novidades e inovações. Em registros mais antigos e bastante elogiados, como o próprio D.D.G. Experience e Ao Vivo no Maracanãzinho (Trazendo a Arca), a ideia era excelente e “inovadora”, mas foi trabalhosamente explorada, como nos recentes Ao Vivo em São Paulo (Heloisa Rosa), Mais um Dia Ao Vivo (Livres) e No Caminho do Milagre (Davi Sacer). Contudo, para quem perdeu estes belíssimos trabalhos, não ficará tão abalado e já estará satisfeito com as eficientes apresentações do grupo.

Confira no Link Abaixo o Trailer Oficial do DVD Histórias e Bicicletas O Filme da banda Oficina G3:



Marcelo Borges

Marcelo Borges

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